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A CINDERELA DA VIDA REAL E O PRÍNCIPE DE SÃO GONÇALO

Era uma vez um não tão belo dia. Ela estava solteira e há 2 dias estirada como um corpo em sua cama em Niterói. Estava decidida a virar a página, mas nem tanto. Chamou a amiga e combinaram que seria uma noite SEM romance. Vestiu seu kit de segurança, queria dançar, beber e só. Queria se divertir sem nenhuma aventura sexual, estava de luto. Então botou uma calcinha larga de avó e sua sapatilha do chulé a fim de se sabotar. Não iria se atrever a ir para a cama com ninguém e correr o risco de ser flagrada com chulé. Botou aquele vestido “me chupa”, à vácuo, e saiu. Exagerada, igual ao Cazuza, dançou com a noite no Barra Music. Até a noite cansou, ela e a amiga não. Mas nem tudo são flores e, como a vida havia lhe ensinado, promessas são feitas para serem quebradas. Sua amiga se atracou com um e para ela surgiu o príncipe. O príncipe era de São Gonçalo, da nobreza do Castelo das Pedras. Os dois estavam em um reino muito, muito distante. O papo era bom, mas ela o negou 3 vezes antes de beijar. O beijo era bom, mas ela o negou três vezes antes de aceitar ir para sua casa. A desculpa foi que a amiga queira ir também com o recém conhecido romance, então foi. Partiram para um amasso na sala e ela sabia que precisaria se desfazer de sua sapatilha do chulé sem que ele notasse. O toque era bom, mas ela o negou três vezes antes de aceitar ir para o seu quarto. Quando entrou foi direto para o banheiro anexo e deixou por lá a sapatilha e a calcinha larga. O acaso havia arregaçado suas manguinhas para juntar os dois, então se amaram. De manhã, se vestindo para ir embora, voltou àquele banheiro que tinha passado a noite inteira fechado, concentrando o chulé da sapatilha, e não achou um dos sapatos. Ele lhe emprestou um chinelo havaianas e ela pegou o taxi de vestido preto chupado, maquiagem borrada, sapatilha branca em um pé e chinelo azul no outro. Foi sabendo que nunca mais iria ver novamente aquele príncipe, sabia que ele iria descobrir o seu segredo fedido assim que encontrasse o outro pé da sapatilha. O amor ofusca os sentidos. Quando ele entrou pela primeira vez naquele banheiro de fragrância concentrada, achou que o chulé era cheiro de sexo e ignorou. Ele não conseguia parar de pensar na maravilhosa noite que tivera. A sapatilha ele achou atrás do vaso sanitário e o sapato virou um pretexto, afinal, ele tinha que devolvê-la. Ligou para ela e marcou um encontro. Quando a viu retirou o all star que ela vestia e testou no pé dela a sapatilha do chulé, para ver se encaixava. A sapatilha encaixou um pouco frouxa, o pé era marcado de calos, mas ele sabia que aquele pé era o pé da mulher da vida dele. As coisas não foram tão rápidas quanto aquela primeira noite. Namoraram e brigaram, terminaram pelo menos umas sete vezes, mas sempre voltavam. Perceberam que imaginar a vida separados era uma concepção insuportável. Se casaram e as coisas foram tão imperfeitamente perfeitas como aquela noite. Foram e são felizes para o sempre e na intensidade que a vida real permite. 12/06/2019 (Crônica n° 26) (Poema n° 05) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . -> E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!

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