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TODO GATO É MALVADO (Crônica n° 82)

TODO GATO É MALVADO (Crônica n° 82)

“Todo gato é malvado!” Tento incutir na cabeça da minha filha de 4 anos. “Não é não, gato é bonzinho” ela responde me dando língua. É inocente quem pensa que os pais têm o poder absoluto de moldar a personalidade dos filhos... O mundo é dividido em dois tipos de pessoas, as que gostam mais de gatos e as que gostam mais de cachorros. (Quem não gosta de nenhum dos dois nem considero gente.) E eu acredito que isto molda substancialmente a personalidade de alguém, muito mais que a posição dos astros e signos. Se alguém diz pra mim que prefere cachorros, sei que posso confiar, se diz que gosta de gatos, já fico com um pé atras... e se fala que é de escorpião eu nem sei o que é, um viajante na maionese? Então, eu quero que minha filha seja uma amante dos cachorros, ela pode gostar de gatos, mas os cães devem estar no topo da sua cadeia de preferência. Por isto, insisto: “Se todo gato é bonzinho, vai lá e faz carinho na Flika (gata da minha sogra)”! Ela hesita. A gata já arranhou ela antes. “Ganhei o debate”, penso. Mas ela, dotada de uma paixão cega, não desiste da classe dos felinos e segue cuidadosa pra beira da cama que a gata está deitada e, com movimentos lentos, bota mãozinha na cabeça da gata. Eu fico do lado com o “cu na mão”, preocupado da gata machucar minha filha e pronto pra pular no meio e intervir, mas ela levanta e sai incomodada, mas não arranha. Minha filha, então, se vira, aponta pra minha cara e determina: “Todo gato é bonzinho, viu, ela não me arranhou”! E eu perco o debate, naquele dia pelo menos. Mas eu fico impressionado que ela se encante mais com a Flika que foge dela, arranha, do que com a nossa cachorra Amy que pede carinho, traz bolinha, faz festa e dá a barriguinha. Não quero nem pensar ou imaginar o que isto pode refletir na personalidade dela. Sei que os pais não têm o poder absoluto de moldar a personalidade dos filhos, mas eu vou tentar. Ainda bem que há uns bons anos à frente pra eu doutrinar ela para o lado cachorro da vida. Hei de vencer! 01/10/2021 (Crônica n° 82) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

TRADIÇÃO DE DIOGOS (Crônica n° 81)

TRADIÇÃO DE DIOGOS (Crônica n° 81)

Na minha família há uma tradição de Diogos. No caso, o nome mesmo. E meu pai, de nome Diogo, em um momento de curiosidade, contou, fez uns telefonemas para os familiares, primos próximos e distantes e concluiu que haviam 12 Diogos vivos na família e mais um para nascer. Eu sempre achei idiota esta tradição, um orgulho bobo, mas meu pai sempre tentou incutir na minha cabecinha de criança e na cabeça da minha irmã que quando tivéssemos um filho tínhamos que nomeá-lo Diogo. Ele falava e dava uma risadinha como se estivesse fazendo graça, mesmo estando a falar sério. Mas nós recusávamos veementemente: “Tradição brega e sem sentido”! Um dia meu pai adoeceu e em pouco meses eu o vi em uma cama de hospital. Refleti sobre como ele foi um bom pai e, temendo pelo pior (que veio a acontecer), o prometi que quando eu tivesse um filho poria o nome Diogo. EM meu casamento meses depois impus à minha esposa a condição: só caso se nosso primogênito for Diogo. Ela teve que aceitar. Os nomes que escolhemos para nossos filhos é para uma vida inteira e já vêm carregados de referências. Uma parente, amigo ou conhecido que carregava o mesmo nome pode influenciar na escolha ou recusa. É normal. Diogo seria um nome que remeteria ao meu pai e, pra mim, não haveria referência melhor. E meu nome, Diogo também, remetia para o meu pai o nome do meu tio avô, pessoa muito querida por ele, pelo pai dele e, aparentemente, pela cidade toda dele. Quando eu e minha esposa descobrimos que ela estava grávida relembrei o pacto (ou imposição) pré-casório: “se for menino se chamará Diogo”. Tinha certeza que seria um menino, era o destino! Nasceu uma menina linda. Lílian, a mãe escolheu o nome. Mas eu fiz questão de colocar um sobrenome a mais do meu pai para compensar (rssss). Quando ficou grávida a segunda vez fiz novena para nascer um menino para eu poder homenagear meu pai. Veio mais uma menininha e, sem perspectivas de ter mais um filho, decretei como em uma nomeação de nobreza: “Chamará DiogA! A terceira do seu nome, sem discussão!” Minha esposa não deixou, claro. Então, decidi que seria o nome feminino que mais se aproxima na minha cabeça: Diana. Mas, é claro que esta coisa dos Diogos na família é uma bobagem. O que importa é o nome ter alguma história e esta é uma história que vou contar para minhas filhas quando perguntarem curiosas sobre seus nomes. E ficarei satisfeito de ter uma oportunidade de contá-las sobre como seu avô foi a melhor pessoa que conheci e que onde quer que ele esteja, sei que as ama muito. Contarei também que a prova que seu avô foi uma pessoa muito boa é que minha prima, sobrinha do meu pai, nomeou seu filho Diogo em sua homenagem. Então, concluirei que, mesmo sendo uma grande bobagem, uma tradição brega e sem sentido, tradições são coisas fortes que passam por gerações e que quando (e se) tiverem um filho homem, terão que botar o nome Diogo. Darei um risinho para acharem que só estou fazendo graça, mesmo estando a falar sério. 08/08/2021 (Crônica n° 81) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

UVAS DESCOBRIDORAS (Crônica n° 80)

UVAS DESCOBRIDORAS (Crônica n° 80)

Comendo uvas, estava eu jogado e embriagado de sono na mesa do café. O pote de sorvete à minha frente, sem sorvete, apenas um cacho onde em cada gravetinho morava uma uva verde e eu, aleatoriamente, pegava uma a uma fazendo a mudança dela pra minha boca. Algumas eram doces como se algum cientista maluco da EMBRAPA tivesse inserido mel com uma seringa. Outras amargas que me faziam curvar na cadeira fazendo careta, como se tivesse tomado um soco no estômago ou COMIDO COCÔ. Mas eu me mantive inerte neste jogo de azar, nesta roleta russa insana. As uvas com sabor de mel compensavam as sabor cocô. Afinal, o que eu poderia fazer? Abrir a geladeira e pegar um pote que realmente tivesse sorvete? Me submeter ao gosto imutável, artificialmente uniforme, sabor baunilha gordura trans? Eu seria um covarde! Prefiro a verdade que há na incerteza de comer uva. A uva é o real, o natural, o sorvete é a mentira, o artificial. A uva é uma metáfora da vida! As uvas são os feijãozinhos mágicos do Harry Potter! É um ato de bravura, de mergulhar no incerto. Quando como uva me sinto um navegador Português desbravando o desconhecido mar do atlântico sul em busca das Américas, capaz de encarar qualquer tempestade, qualquer mostro marinho! Eu não descobri nenhum continente, desbravei nenhum oceano, mas acho que consegui entender o valor desse momento comendo uvas, mesmo eu, apenas um ordinário, jogado e embriagado de sono na mesa do café. 30/09/2021 (Crônica n° 80) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

A RUA QUE NINOU MINHAS FILHAS (Crônica n° 79)

A RUA QUE NINOU MINHAS FILHAS (Crônica n° 79)

“Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ela ninar”. Catava eu para minhas filhas andando pra lá e pra cá na varanda sobre a avenida Afonso Pena, Belo Horizonte. Não existia lugar melhor pra fazer minhas filhas bebezinhas dormirem, só eu, elas e a rua que é uma avenida, mas eu chamo de rua porque sou chegado. Era meu lugar de segurança. Quando ninguém estava conseguindo fazer as bebês dormirem eu ia pra varanda com quase 10 metros de comprimento e estreita, 80cm de largura, e ficava andando com elas no colo. Dormiam em poucos minutos. E eu acho que dormiam porque a rua cantava também. Gostavam do barulho. O melhor ruído branco que eu poderia conseguir, melhor que qualquer aplicativo, que qualquer som do youtube. O som das pessoas, dos carros passando. Os amigos se encontrando na pizzadria da frente. O barulho do bate-papo regado a álcool no bar da Dalva que fechou na pandemia (uma pena). Os encontros de enamorados embaixo das sombras dos ipês-rosas floridos na primavera. As confusões do bêbado que sempre veste a camisa do Atlético Mineiro, este falava alto, gritando e impondo a magnificência do Galo. E quando ficava de madrugada... o barulho das trans que tentavam sobreviver na perigosa vida de ter que se vender, por um fio no meio fio da calçada. Todo um ecossistema se desenvolvia ali e eu, lá de cima, observava enquanto desempenhava a árdua, porém nobre, tarefa de botar neném pra dormir. E ninguém tira da minha cabeça que elas dormiam com a cantoria da rua. Com o tempo desenvolvi uma intimidade com aquela rua, pelo menos aquele pedaço sob os meus pés, como se ela fosse uma velha amiga. Eu cantava que “se a rua fosse minha eu mandava ela ninar”, mas a verdade é que eu nunca precisei mandar nada, ela fazia de bom grado, sem precisar pedir. E agora que estou de mudança eu só penso que fica uma gratidão pela ajuda. 11/10/2021 (Crônica n° 79) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

PEITO COMO ARMA (Crônica n° 78)

PEITO COMO ARMA (Crônica n° 78)

Estou com uma filhinha com um mês de vida. Não é fácil cuidar de um bebezinho tão pequeno. E a mulher sofre mais, claro, é ela que tem a grande arma secreta para acalmar bebês: o peito. Então, sou eu que pego a pequena depois do mamá às 5 horas da madrugada, pra tentar estender o sono matinal da minha esposa. Depois de uma hora, uma hora e meia, minha filha começa a lutar contra o sono, grita e esperneia como se eu tivesse cometendo um crime hediondo. Se consigo ninar ela rapidamente, tudo bem, se eu demoro um pouquinho mais pra fazê-la dormir, minha esposa aparece na sala, vindo do quarto, sacando o peito pra fora do sutiã como um pistoleiro do velho oeste sacando o revólver do coldre, dizendo: “Quer mamar? Quer mamar?” Com um olho aberto e o outro fechado ainda tentando acordar do sono. Ela parece um zumbi do The Walking Dead , cambaleando, não sabendo se é dia ou noite, se cochilou 10 minutos ou uma hora, mas seu instinto sabe que dar mamá resolve o problema, então ela vem. Eu queria que todos os dias fossem perfeitos e eu conseguisse fazer a pequena dormir logo no primeiro sinal de sono, mas nem sempre é possível. Algumas vezes eu consigo mandar minha esposa ir embora “vai dormir, eu estou quase conseguindo aqui”, outras vezes demora mais e outras o que a filhota quer mesmo é mamá e só a mãe pode resolver. Mas, apesar de minha esposa cambaleando de sono apontando sua “arma” pra minha filha ser uma das cenas mais cômicas desta minha paternidade, é também uma das cenas mais lindas. É, pra mim, o retrato da maternagem real, penosa, instintiva e afetuosa. 30/09/2021 (Crônica n° 78) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

OS ETS E A HUMANIDADE (Crônica n° 77)

OS ETS E A HUMANIDADE (Crônica n° 77)

“A humanidade desaprendeu a olhar para o céu”. Este é um argumento recorrente nestes documentários baratos sobre Extraterrestres e UFOs. Normalmente é utilizado para justificar a diminuição de avistamentos desses fenômenos nas últimas décadas. Mas por mais que esse seja um argumento raso do ponto de vista argumentativo, tem uma poética implícita que só o coração mais atento é capaz de identificar. Se por um lado temos hoje em nossas mãos espelhinhos negros de tecnologia condensada (smartphones), que nos tornam capazes de acessar praticamente todo o conhecimento da humanidade produzido até o momento, por outro vivemos curvados, ávidos por consumir toda essa informação na palma de nossas mãos. E o óbvio: se estamos sempre olhando para baixo, não olhamos para frente ou para cima. O problema é que esta postura curvada denota uma subserviência que só seria plausível de ser concebida se uma nave alienígena invadisse a Terra, subjugasse os melhores exércitos das maiores potências e exigisse rendição. E se não olhamos pra frente, como enxergamos o próximo? E se não olhamos pra cima, como é que vamos enxergar padrões nas estrelas, falar dos antepassados e pausar um pouco do ritmo frenético da vida moderna? “A humanidade desaprendeu a olhar para o céu”. Que voltemos a olhar para o céu, de preferência com companhia pra poder jogar papo pro ar. Que voltemos a olhar para o céu buscando inspiração nos astros pra escrever um parágrafo. Que voltemos a olhar para o céu pra tramar as teorias mais mirabolantes sobre a vida. Se passarmos mais tempo olhando para o céu em vez do smartphone, passaremos mais tempo olhando para nós mesmos, passaremos mais tempo produzindo conhecimento em vez de só consumindo. Que a humanidade volte a olhar para o céu, não pra enxergar alienígena, mas pra enxergar a própria humanidade. 25/08/2021 (Crônica n° 77) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

PANDEMIA DE DOIS ANOS (Crônica n° 76)

PANDEMIA DE DOIS ANOS (Crônica n° 76)

A pandemia COVID-19 está quase fazendo dois anos. Ninguém vai fazer festa, assar bolo ou soprar velinhas. É um aniversário insosso como o sintoma do contágio. Dois anos mudam a gente. Minha filha tinha dois e agora fez quatro. Ela cresceu neste tempo que passamos quarentemados e receosos com o vírus invisível. Ela parou de usar chupeta, antes usava franja e agora (por vontade dela) não. Ela começou a expressar mais suas vontades. Desfraldou, começou a usar a privada e desfrutamos juntos aquele alegre processo de transição do ritual de dar “thau para o cocô” na descarga. Até que dar “thau pro cocô” passou a não ser mais novidade, não ter mais graça, e paramos de fazer. Ela virou uma criancinha de pernas longas e fortes, distante da imagem de um bebê com pernas em desenvolvimento que aprendeu a andar. Minha esposa e eu, cansados do marasmo da quarentena, decidimos botar a vida pra frente. Engravidamos. A barriga dela cresceu devagar até parecer que ela tinha engolido uma melancia. Um dia minha esposa de 1,60m de altura deu à luz uma menininha de 4kg e 51 cm depois de uma gestação de 10 meses. Meu bebê cresceu, fez 1, 2 meses, caiu o umbigo, começou a me seguir com os olhos e responder com risinhos minhas caretas e barulhinhos. Agradeço pelo privilégio da vida em um mundo onde muitas famílias se depararam com a morte. A vida é um privilégio. E com a distribuição mais ampla das vacinas as coisas começam a querer voltar ao normal. Antes trabalhando em casa, remotamente, trabalhei minha primeira semana em regime presencial. Na minha mesa quase uma dezena de carimbos inúteis, enfileirados como em uma procissão de velório, posto que todos os processos migraram para tramitação exclusiva no digital. Muitas lembranças do ambiente pré-pandemia me vieram à cabeça, como quando o grampo de papel quase acabou e as pessoas na empresa começaram a desesperar, afinal, como poderíamos viver sem conseguir grampear papel! Papel não existe mais, os carimbos perderam seu lugar na sociedade, assim como não conseguiremos voltar ao normal como era pré-pandemia. Esse normal já não existe. Dois anos mudam a gente. Eu mudei, o trabalho mudou, assim como tenho certeza que você mudou junto com o mundo. E se você passou a entender que a vida é um privilégio, mudou pra melhor. A pandemia COVID-19 está quase fazendo dois anos, ninguém vai fazer festa, assar bolo ou soprar velinhas, mas também não é como se tivéssemos que viver uma vida insossa ou nos tornarmos obsoletos carimbos. Vamos saborear da melhor forma que pudermos. As coisas hoje estão melhores que há quase dois anos atrás. 08/10/2021 (Crônica n° 76) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

BEBÊ EMBRIAGADO (Crônica n° 75)

BEBÊ EMBRIAGADO (Crônica n° 75)

Minha segunda filha nasceu a poucos dias e algumas memórias esquecidas voltaram à tona. Alguns pequenos deleites que vivi na rotina com minha primeira filha e que tenho o prazer de reencontrar agora com a segunda. E o que resta para os pais de um bebe recém-nascido? Só se agarrar a estes pequenos deleites, pois são verdadeiramente pequenos. Um bebezinho não interage, só faz cocô, mama, chora, baba, faz cocô de novo e tudo isso sem respeitar as normas sociais da madrugada, masss... Quando aquele serzinho com cara de joelho abre um sorrisinho é como se todas as noites mal dormidas nunca tivessem existido. Particularmente, o meu pequeno deleite favorito é ficar observando a carinha dela logo após uma boa mamada. Se você nunca reparou, repare: o bebezinho logo após mamar fica com a cara do maior pinguço do bairro, como se tivesse tomado um porre de licor de alcatrão sabor cigarro. Fica, literalmente, MAMADO! E quando isto acontece e vou botar o neném para arrotar, coloco ela em peézinho nos meus joelhos bem na minha frente pra ficar contemplando como se fosse a maior obra de arte do melhor museu. E fico lá horas só olhando aquele bebe "embriagado" com os olhos pesados e as bochechas maiores que o mundo pendendo para baixo. Fico em uma espécie de bolha onde a velocidade do mundo moderno não me atinge. É uma forma de meditação que me faz lembrar a importância de desacelerar. É um recado do mundo vindo do lugar mais improvável: um "bebe embriagado". 20/08/2021 (Crônica n° 75) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

Vacina. Por um mundo sem o gosto amargo do álcool em gel. (Crônica n° 74)

Vacina. Por um mundo sem o gosto amargo do álcool em gel. (Crônica n° 74)

Vivemos tempos estranhos. Desde o início de 2020 fomos surpreendidos pela disseminação de uma doença viral horrível que assassina idosos e jovens vitimando aleatoriamente independente de “histórico de atleta” ou qualquer condição prévia. A partir disso o mundo mudou. Ficou mais triste. A maioria das pessoas, as que puderam e as que se importavam, se trancaram em suas casas e já não era mais possível se encontrar em bares, festejar, gritar, abraçar. Ao sair de casa passamos a ter que esconder nossos sorrisos (quase inexistentes naquele momento) atrás de máscaras e fomos condicionados a lambuzar a mão compulsivamente, segundo a segundo, com o famigerado álcool em gel. O ar puro fora de casa passou a ter cheiro do tecido ou plástico hospitalar. A comida manuseada com as mãos passou a compartilhar o sabor amargo do álcool em gel dos dedos. E por traz destas pequenas mudanças, a morte de mais de meio milhões de brasileiros infligindo enormes mudanças familiares. Para as pessoas que não se importam tudo isto não passa de uma “gripezinha”. Mas, em de 2021 uma vacina salvadora começou a ser distribuída. Paradoxalmente, um milagre de Deus proporcionado pela ciência humana. Vivemos tempos estranhos, então, surpreendentemente, algumas pessoas estão se negando a tomar a vacina embebidos em teorias conspiratórias de roteiro mais complexo que qualquer filme de Hollywood. “Culpa do Bill Gates”, dizem eles bradando que os vacinados são adormecidos manipulados. Inacreditável! Tempos estranhos. Mas também é tempo de esperança. Hoje eu me vacinei. E eu chorei. Foi uma sensação estranha ter chorado. Já tomei inúmeras vacinas na minha vida e me lembro de ter chorado em outras. Quando criança a gente chora porque a vacina dói, mas hoje eu chorei por empatia, porque eu sei que em mim não doeu tanto quanto em outras famílias. Eu chorei porque esta pequena dor no braço é a dor que representa a esperança de um mundo sem o cheiro de tecido ou plástico hospitalar das máscaras e sem sabor amargo de álcool em gel nos dedos. 21/07/2021 (Crônica n° 74) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

Pai em dobro (Crônica n°73)

Pai em dobro (Crônica n°73)

Virei pai de novo. Em um dia estava brincando com Lílian, minha primogênita, e no outro zanzando pela casa ninando o bebê no colo, Diana, a caçula. E as coisas aconteceram tão rápido que nem deu tempo de perceber que eu já era pai de duas. Só me dei conta disso quando comecei a trocar os nomes. Um belo dia, quando estava trocando fralda, Diana esguichou um xixi na minha cara. Sujou meia, macacão, o trocador, tudo! E eu gritei: "Caaalma Lílian!" Pai de dois só se dá conta disso quando começa a trocar os nomes dos filhos. E naquele momento eu lembrei das inúmeras vezes que minha mãe e meu pai me chamaram de Monique, nome da minha irmã mais velha, que, inclusive, é mulher. Não faz sentido nenhum isso. E lembrei também da avó da minha esposa, dona Olinda, que também troca o nome das filhas e que vez ou outra flagro chamando minha primogênita: "Lilian, vem comer sua raçãozinha!" Ela troca o nome da cachorra pelo da neta e vice versa. Isso faz menos sentido ainda. E inúmeros casos surgiram e surgem na minha cabeça: pais com mais de um filho trocando os nomes, Tias, Tios, pais de amigos... Quando era criança eu não gostava quando erravam o meu nome, mas agora, com a experiência, vejo que isto parece ser um mal que acomete os papais e mamães com dois ou mais filhos. É algo pequeno, uma informação inútil, mas pra mim foi um marco, foi quando eu cai na real que tinha me tornado pai de duas. É uma daquelas coisas que nos faz parar pra refletir sobre o passado e conjecturar sobre o maravilhoso (e difícil) futuro que aguarda quem é pai, ou mãe, e que agora pra mim vem em DOBRO. 21/08/2021 (Crônica n° 73) Diogo Braga Crônicas Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga.

DILEMA MORAL IDIOTA (Crônica n° 72)

DILEMA MORAL IDIOTA (Crônica n° 72)

Estava eu nadando nas águas ferozes da praia de Itacoatiara em Niterói, quando senti um choque no pescoço. Foi como se eu tivesse tomado uma chicotada. Me desesperei sacodindo os braços pra me afastar do que quer que tivesse me tocado e me debati para fora do mar. Saí da água tomando porrada das ondas fortes e gritei meu amigo. “Rodrigo, Rodrigo”. Ele ficou assustado com a dor que eu sentia e me disse que havia uma linha vermelha do pescoço descendo até a minha axila. E enquanto eu urrava de dor ele falou que deveria ter sido uma água viva, uma caravela, talvez. Estávamos há uns 50 minutos de distância de qualquer hospital e eu já havia escutado que urina neutralizava queimadura de água-viva, portanto, implorei. “Rodrigo, urina em mim, AGORA”! Foi um ato desesperado, a dor era tanta que eu não conseguia ficar parado, só queria que aquilo passasse, mas ele ficou inerte. Eu estiquei o pescoço mostrando a área ferida para ele e falei: “Rodrigo, RAPIDO! Se você é meu amigo DE VERDADE faz xixi em mim”! Eu fiquei lá de olho fechado esperando aquele líquido quentinho escorrer minha dor para longe, mas, depois de alguns segundos atônito, ele se negou veementemente. “Não vou fazer.” Gritou ele gesticulando: “Um amigo de verdade não urina no outro”. Eu fiquei bravo. Limpei o pescoço do jeito que deu com água do mar e corremos para o hospital. Fiquei uns bons dias com o pescoço pulsando no lugar ferido. O tempo passou e eu descobri que a história de xixi curar queimadura de água-viva é crendice popular, fake news , mas aquele dilema moral ficou martelando na minha cabeça. Urinar em um ser humano é naturalmente errado, mas se isto fosse aliviar um amigo de uma dor excruciante? Seria correto? Se ele tivesse me implorado pra aliviar a sua dor com urina eu, provavelmente, urinaria nele. Mas à medida que o tempo passa eu entendo melhor que a atitude dele foi a correta. Não é porque alguma coisa é senso-comum que é a certa. As fake news estão aí, no passado da crendice popular, nas correntes de whatsapp, nas redes sociais... e elas não podem nos influenciar quando uma questão moral se apresenta. Hoje eu compreendo a sapiência daquela frase “Um amigo de verdade não urina no outro”. Ah... Se você tem um amigo que já urinou em você, corte relações. e aproveita e marca ele nos comentários aqui em baixo (sem explicar nada) para expor ele perante sociedade. 24/05/2021 (Crônica n° 72) Diogo Braga Crônicas . . . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga. . . Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . . #crônica #VLOG #moral #dilemamoral #ética #história #casosecausos Music from epidemicsound.com .

MEU PAI FUMAVA ESCONDIDO (Crônica n° 71)

MEU PAI FUMAVA ESCONDIDO (Crônica n° 71)

MEU PAI FUMAVA ESCONDIDO. E o problema não é que ele fumava, eu acho lindo o hábito de fumar, eu até gostaria de ser fumante e dar aquelas baforadas sentado na praia logo depois de pousar do meu salto de paraquedas (como acontecia nos comerciais de TV de antigamente). Acho bonito pra caramba, só não gosto da parte do câncer. Se não fosse esse detalhezinho... eu era fumante. O problema é que o meu pai fumava e mentia. Meu pai chegava em casa fedendo a cigarro igual um gambá e a gente, que queria que ele parasse com aquele vício, questionava, intimava “você fumou pai”? E ele na maior cara lavada “não, claro que não meu filho” com um cigarro atrás da orelha. Então a gente encarnava o policial, botava ele debruçado na parede, abria as pernas, futucava os bolsos da calça, da camisa e revistava. “Hummmm... 5 maços de derby!? É pra consumo próprio ou vender?” E ele... “Não é meu, botaram ai”. Ele não admitia, mentia. E justificava que na sua época de garoto não se sabia dos malefícios do cigarro, dizia ainda que tinha sido seu tio que o havia ensinado ainda com 13 anos de idade. Meu pai me ensinava todo dia que era errado mentir, no entanto, mentia na cara lavada quando o assunto era cigarro. Talvez por isto eu prefira fumar cigarrinhos de biscoito de queijo, porque o cheiro do cigarro me faz lembrar que ele não era o herói perfeito que eu imaginava. Ele mentia e não queria admitir que aquele vício fazia parte dele. Ao menos aquele vício fazia mal somente a ele e, pensando hoje, o tal vício tem o lado positivo de humanizar o ser idealizado. Mas um dia ele acabou parando de fumar, quando ele teve um princípio de infarto e o médico acusou o cigarro como um dos culpados. E quando a escolha foi a vida ou o vício meu pai fez a escolha certa. Parou de mentir pra si mesmo e admitiu que aquele vício não precisava fazer parte dele. 10/05/2021 (Crônica n° 71) Diogo Braga Crônicas . . . --- E se você se identificou ou gosta das histórias que eu conto, comenta, salva, compartilha, se inscreve, ativa as notificações, mostra pro coleguinha, faz tudo e me ajuda a espalhar a palavra! E se você quer compartilhar uma história sua comigo, me manda um e-mail para bragacronicas@gmail.com ou me envia um áudio pelo direct do instagram que é @diogobragacronicas. No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima! Diogo Braga. . . Crônicas em podcast , Spotify ( Braga Crônicas ), Instagram (@DiogoBragaCronicas ) e Youtube ( Braga Crônicas ). Medium ( @bragacronicas ). Site/Blog: diogobragacronicas.com . Email: bragacronicas@gmail.com . NewsLetter: https://tinyletter.com/DiogoBragaCronicas . . #crônica #VLOG #pai #paternidade #caso #causo #casosecausos Music from epidemicsound.com .

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