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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

Vacina. Por um mundo sem o gosto amargo do álcool em gel. (Crônica n° 74)

Vivemos tempos estranhos. Desde o início de 2020 fomos surpreendidos pela disseminação de uma doença viral horrível que assassina idosos e jovens vitimando aleatoriamente independente de “histórico de atleta” ou qualquer condição prévia. A partir disso o mundo mudou. Ficou mais triste. A maioria das pessoas, as que puderam e as que se importavam, se trancaram em suas casas e já não era mais possível se encontrar em bares, festejar, gritar, abraçar. Ao sair de casa passamos a ter que esconder nossos sorrisos (quase inexistentes naquele momento) atrás de máscaras e fomos condicionados a lambuzar a mão compulsivamente, segundo a segundo, com o famigerado álcool em gel. O ar puro fora de casa passou a ter cheiro do tecido ou plástico hospitalar. A comida manuseada com as mãos passou a compartilhar o sabor amargo do álcool em gel dos dedos. E por traz destas pequenas mudanças, a morte de mais de meio milhões de brasileiros infligindo enormes mudanças familiares. Para as pessoas que não se importam tudo isto não passa de uma “gripezinha”. Mas, em de 2021 uma vacina salvadora começou a ser distribuída. Paradoxalmente, um milagre de Deus proporcionado pela ciência humana. Vivemos tempos estranhos, então, surpreendentemente, algumas pessoas estão se negando a tomar a vacina embebidos em teorias conspiratórias de roteiro mais complexo que qualquer filme de Hollywood. “Culpa do Bill Gates”, dizem eles bradando que os vacinados são adormecidos manipulados. Inacreditável! Tempos estranhos. Mas também é tempo de esperança. Hoje eu me vacinei. E eu chorei. Foi uma sensação estranha ter chorado. Já tomei inúmeras vacinas na minha vida e me lembro de ter chorado em outras. Quando criança a gente chora porque a vacina dói, mas hoje eu chorei por empatia, porque eu sei que em mim não doeu tanto quanto em outras famílias. Eu chorei porque esta pequena dor no braço é a dor que representa a esperança de um mundo sem o cheiro de tecido ou plástico hospitalar das máscaras e sem sabor amargo de álcool em gel nos dedos.

21/07/2021 (Crônica n° 74)

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.


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