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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

UVAS DESCOBRIDORAS (Crônica n° 80)

Comendo uvas, estava eu jogado e embriagado de sono na mesa do café.


O pote de sorvete à minha frente, sem sorvete, apenas um cacho onde em cada gravetinho morava uma uva verde e eu, aleatoriamente, pegava uma a uma fazendo a mudança dela pra minha boca.


Algumas eram doces como se algum cientista maluco da EMBRAPA tivesse inserido mel com uma seringa. Outras amargas que me faziam curvar na cadeira fazendo careta, como se tivesse tomado um soco no estômago ou COMIDO COCÔ.


Mas eu me mantive inerte neste jogo de azar, nesta roleta russa insana. As uvas com sabor de mel compensavam as sabor cocô.


Afinal, o que eu poderia fazer? Abrir a geladeira e pegar um pote que realmente tivesse sorvete? Me submeter ao gosto imutável, artificialmente uniforme, sabor baunilha gordura trans? Eu seria um covarde!


Prefiro a verdade que há na incerteza de comer uva. A uva é o real, o natural, o sorvete é a mentira, o artificial. A uva é uma metáfora da vida! As uvas são os feijãozinhos mágicos do Harry Potter! É um ato de bravura, de mergulhar no incerto. Quando como uva me sinto um navegador Português desbravando o desconhecido mar do atlântico sul em busca das Américas, capaz de encarar qualquer tempestade, qualquer mostro marinho!


Eu não descobri nenhum continente, desbravei nenhum oceano, mas acho que consegui entender o valor desse momento comendo uvas, mesmo eu, apenas um ordinário, jogado e embriagado de sono na mesa do café.


30/09/2021 (Crônica n° 80)


Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.


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