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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

UM MOMENTO DAQUELES (Crônica n° 57)

Outro dia eu fui na praia com a minha filha. Só eu e ela. Levei um baldinho vermelho. Brincamos de fazer castelo de areia e pra cada castelo construído ela ia no mar, enchia o baldinho e voltava pra tacar água nos castelinhos, destruindo toda nossa genialidade arquitetônica. E este processo se repetiu infinitamente até que estivéssemos os dois completamente sujos e encharcados. Foi um momento DAQUELES (em caixa alta) da paternidade, quando o tempo deixa de existir e você se encontra suspenso em uma sublime epifania.


Então, no dia seguinte eu quis repetir a dose. Fomos na praia novamente, só eu e ela. Levamos o baldinho vermelho e iniciamos a brincadeira de fazer castelinhos de areia. Ela foi no mar pegar água. Mas desta vez eu fui com ela, pois o mar não estava tão calmo como no outro dia. Fui vigiando. Ela encheu o baldinho e veio uma onda e “BUMMM”, a derrubou. Caiu de cara na areia molhada. Eu a peguei salvando ela daquelas ondas malvadas e a levei para um montinho de areia onde as ondas não alcançavam. Ela ensaiou um choro. Eu a acalmei e fiquei decepcionado com o início do nosso passeio na praia, um desastre longe da epifania maravilhosa do dia anterior.


Diante disto eu levantei, peguei um punhado de areia e taquei no mar gritando: “onda malvada”! Minha filha me imitou, tacou areia também. Em alguns momentos a onda malvada “derrubava” ela de novo (entre grandes aspas) e a arrastaaaaaava! O papai aparecia pra salvar a filhotinha e saíamos correndo para o montinho de areia onde as ondas não alcançavam.


Passamos a tarde naquele processo que se repetiu infinitamente, até que estivéssemos os dois completamente sujos e encharcados. Foi um momento DAQUELES (em caixa alta) da paternidade. Quando o tempo deixa de existir e você se encontra suspenso em uma sublime epifania. Deus está em todas das coisas mesmo.

04/01/2021 (Crônica n° 57)

Diogo Braga Crônicas


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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.

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