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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

TRADIÇÃO DE DIOGOS (Crônica n° 81)

Na minha família há uma tradição de Diogos. No caso, o nome mesmo. E meu pai, de nome Diogo, em um momento de curiosidade, contou, fez uns telefonemas para os familiares, primos próximos e distantes e concluiu que haviam 12 Diogos vivos na família e mais um para nascer. Eu sempre achei idiota esta tradição, um orgulho bobo, mas meu pai sempre tentou incutir na minha cabecinha de criança e na cabeça da minha irmã que quando tivéssemos um filho tínhamos que nomeá-lo Diogo. Ele falava e dava uma risadinha como se estivesse fazendo graça, mesmo estando a falar sério. Mas nós recusávamos veementemente: “Tradição brega e sem sentido”!


Um dia meu pai adoeceu e em pouco meses eu o vi em uma cama de hospital. Refleti sobre como ele foi um bom pai e, temendo pelo pior (que veio a acontecer), o prometi que quando eu tivesse um filho poria o nome Diogo. EM meu casamento meses depois impus à minha esposa a condição: só caso se nosso primogênito for Diogo. Ela teve que aceitar.


Os nomes que escolhemos para nossos filhos é para uma vida inteira e já vêm carregados de referências. Uma parente, amigo ou conhecido que carregava o mesmo nome pode influenciar na escolha ou recusa. É normal. Diogo seria um nome que remeteria ao meu pai e, pra mim, não haveria referência melhor. E meu nome, Diogo também, remetia para o meu pai o nome do meu tio avô, pessoa muito querida por ele, pelo pai dele e, aparentemente, pela cidade toda dele.


Quando eu e minha esposa descobrimos que ela estava grávida relembrei o pacto (ou imposição) pré-casório: “se for menino se chamará Diogo”. Tinha certeza que seria um menino, era o destino! Nasceu uma menina linda. Lílian, a mãe escolheu o nome. Mas eu fiz questão de colocar um sobrenome a mais do meu pai para compensar (rssss). Quando ficou grávida a segunda vez fiz novena para nascer um menino para eu poder homenagear meu pai. Veio mais uma menininha e, sem perspectivas de ter mais um filho, decretei como em uma nomeação de nobreza: “Chamará DiogA! A terceira do seu nome, sem discussão!”


Minha esposa não deixou, claro. Então, decidi que seria o nome feminino que mais se aproxima na minha cabeça: Diana.


Mas, é claro que esta coisa dos Diogos na família é uma bobagem. O que importa é o nome ter alguma história e esta é uma história que vou contar para minhas filhas quando perguntarem curiosas sobre seus nomes. E ficarei satisfeito de ter uma oportunidade de contá-las sobre como seu avô foi a melhor pessoa que conheci e que onde quer que ele esteja, sei que as ama muito. Contarei também que a prova que seu avô foi uma pessoa muito boa é que minha prima, sobrinha do meu pai, nomeou seu filho Diogo em sua homenagem.


Então, concluirei que, mesmo sendo uma grande bobagem, uma tradição brega e sem sentido, tradições são coisas fortes que passam por gerações e que quando (e se) tiverem um filho homem, terão que botar o nome Diogo. Darei um risinho para acharem que só estou fazendo graça, mesmo estando a falar sério.

08/08/2021 (Crônica n° 81)

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.

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