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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

TABELA PARA SOLUCIONAR CONFLITOS (Crônica n°52)

Atualizado: 2 de ago. de 2021

Um amigo outro dia quis me convencer de seu método infalível para resolução de conflitos de casal: uma planilha milagrosa onde ele insere os dados do assunto discutido.


Pegou o celular, abriu o Excel e me mostrou uma planilha como a qual ele solucionou uma briga com sua esposa sobre: afazeres domésticos! Era uma planilha simples, duas colunas, uma com o nome dele, a outra com o nome dela e as linhas com os tais afazeres. O resto da dita cuja era preenchida com a porcentagem de tempo gasta por cada cônjuge no desempenhar destas tarefas e o objetivo dele era provar que os dois exerciam a mesma quantidade de esforço desempenhando tais tarefas.


A esposa, claro, não concordava. Mas para ele, apresentar seu ponto de vista travestido de linhas e contas matemáticas transformava seu argumento em uma prova infalível capaz de findar qualquer briga. Típica forma de pensar de um contador, profissão dele, então relevei incrédulo sem aprofundar demasiadamente, mas não antes de perguntar como é que ele arbitrava as porcentagens da tabela. “Arbitrando ora”, me respondeu com um sorriso no rosto. Eu o devolvi um sorriso amarelo.


Mas ontem eu e minha esposa brigamos e pensei na possibilidade de usar a tabela, mas achei melhor não. É provável que eu fosse arremessado pela janela se eu parasse no meio da discussão e “perai amorzinho, vou preencher uma tabela aqui rapidinho pra mostrar que VOCÊ ESTÁ ERRADA”.


Além disso, sou de humanas e para eu determinar o valor de x em uma equação, preciso, PRIMEIRO, entender o contexto social a que ele está inserido. Pensei então que eu poderia fumar um com ela, mas ela não fuma, nem eu (só cigarrinhos de biscoito de queijo). Pensei que eu poderia beber um vinho com ela, mas ela também não bebe. Tentei pensar em outras coisas de humanas que um cara como eu poderia usar. Pensei em música, pois disso ela gosta muito, mas não sou músico e nem poderia ser nesta encarnação.


Frente a minha inabilidade e incapacidade conciliatória, desejei infinitamente possuir aquele santo graal da resolução de conflitos, uma tabela milagrosa para resolver pacificamente aquela briga, mas como eu não tenho e não saberia como usar, escrevi este texto, que não é literatura, mas é sincero.


Que fique claro que eu não quero vencer a discussão ou “mostrar que você está errada”, quero com ele mostrar que a vida não tem que ser exata como a matemática. Nossa relação tem que ser humana, e é, e eu não preciso fazer tabela ou cálculo algum para encontrar o seu valor.


OBS: Li este texto para a minha esposa e ela me respondeu: “Mentira! Você quer vencer sim!” Acho que todo mundo sempre quer um pouco né...

(Crônica n°52) 12/11/2020

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.


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