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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

SAÚDE DO SACO

Atualizado: 18 de dez. de 2020

Eu estou com medo da minha filha. Eu me apavoro toda vez que ela me chama para brincar. Porque eu sei que em algum momento eu vou tomar uma PORRADA NO SACO.


Eu me sinto o Seu Barriga em um episódio de Chaves. É inevitável, uma hora a porrada vem. Com a minha esposa a minha filha brinca civilizadamente, pega boneca, cozinha uns biscoitinhos no forninho de plástico, ajeita uma mesa, chama o urso e o cachorro de pelúcia e se deleitam com um maravilhoso e imaginário chá da tarde.


Comigo a minha filha só quer subir nas minhas costas e me fazer de cavalinho, me escalar como se eu fosse o Everest, subir em mim e pular na cama e pular da cama na minha barriga. E sempre, eu digo SEMPRE, sobra acidentalmente um pezinho ou uma mãozinha NO MEU SACO.


As vezes a porrada é leve, pega de raspão em uma das bolas, outras vezes a porrada é em cheio no pacote e eu urro de dor, mas sempre, eu digo SEMPRE que eu tomo uma porrada no saco a minha filha aproveita o meu corpo dobrado de dor pra subir mais uma vez em mim e gritar “eeeeeeee”, como se tivesse ganhado as olimpíadas. Só pode ser Sadismo!


Algumas vezes ela pede “decupa papai” e eu imagino ela falando com a voz do Chaves “foi sem querer querendo”. Me derreto e rio ao mesmo tempo. Mas eu não estou reclamando (embora possa parecer), é que eu nunca imaginei que isso acontecia.


Ser pai presente é correr constante perigo de estourar o próprio saco. Pai que brinca com o filho, vai ter que conviver com isso por uns bons anos. Quem nunca viu um pai sofrendo com uma porrada no saco dada pelo filho? Eu inclusive me lembro dando umas boas porradas sem querer no meu pai quando era criança. Eu também já perguntei a alguns amigos que têm filhos pequenos e a resposta é sempre a mesma: “acontece mesmo”.


E mesmo com o medo e a ansiedade gerada por saber que eu vou, em algum momento do dia, tomar uma porrada no saco, continuo brincando com a minha filha das coisas que ela gosta de brincar comigo. Ela continua subindo nas minhas costas, pulando na minha barriga, eu brinco e deixo brincar porque sei que isso a deixa feliz.


E pai que é pai bota a felicidade do filho acima de qualquer coisa. A felicidade está, inclusive, acima da saúde do saco.

14/08/2020 (Crônica n° 27)

Diogo Braga Crônicas



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