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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

PRIMEIRA PÁSCOA (Crônica n°45)

Aconteceu! Um momento muito esperado por mim desde que eu me tornei pai aconteceu este mês e foi maravilhoso!


Aconteceu a primeira páscoa da minha filha em que pude MENTIR pra ela dizendo que um coelho ovíparo invadiu nossa casa e espalhou comida de origem desconhecida pelo chão! E o melhor! Que a comida de origem desconhecida era chocolate e que nós poderíamos nos esbaldar!


No dia de páscoa a minha filha dormiu depois do almoço e eu e minha esposa aproveitamos e espalhamos os ovinhos pela casa. Fizemos vários montinhos de farinha no chão com quatro buraquinhos dos dedos do coelho. Sujamos a casa toda e colocamos as patinhas perto dos ovinhos para ela entender e procurar.


Uma hora ela apareceu toda descabelada na sala e minha esposa falou: “Filha, acho que o coelho passou aqui, olha a patinha no chão”! Ela ficou igual barata tonta olhando e procurando, até que eu apontei, olha ali, acho que ele escondeu alguma coisa”!


Fomos para o quarto dela e refizemos todo o trajeto que planejamos com um roteiro de filme. O coelho entrou pela janela do quarto, foi pra sala e fugiu pela varanda! Ela entendeu a brincadeira, descobriu todos os ovinhos escondidos e gritava um delicioso “achei” a cada descoberta! Depois nos sentamos no chão e nos esbaldamos.


Minha filha aprendeu a comer chocolate alí, nunca gostou, quando oferecíamos cuspia e pedia fruta. Foi uma forma lúdica e eficiente de introduzir ela no mundo delicioso mundo do açúcar! Depois desse dia quando ela falava que queria comer ovo era o do coelho e não o da galinha.


Ou seja, pode ser esteja tudo errado nesta “tradição” de pascoa. Talvez esta tradição pode não soar uma boa ideia e, se pararmos pra pensar bem, ela pode sim passar mensagens erradas: que podemos aceitar comida de desconhecidos, que podemos nos entregar aos excessos e até que a mentira é aceitável.


Talvez estas tradições sejam mais para nós adultos do que para nossos filhos. Talvez seja o desejo de revivermos momentos lúdicos e amorosos que nós tivemos com nossos pais, talvez seja a simples e inocente vontade de vivenciar o contato do filho com um mundo de fantasia.


Eu não sei se a perpetuação deste tipo de tradição é boa ou ruim, provavelmente é o meio do caminho. O que que sei é que momentos como estes são tatuados nas memórias de afeto e que um adulto com este tipo de lembranças pode revivê-las e ter a certeza de que foi amado.


E se sabemos que o amor é de verdade, pouco importa que o coelho não existe.

(Crônica n°45) 16/04/2020

Diogo Braga Crônicas






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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!

Diogo Braga.



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