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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

PEITO COMO ARMA (Crônica n° 78)

Estou com uma filhinha com um mês de vida. Não é fácil cuidar de um bebezinho tão pequeno.


E a mulher sofre mais, claro, é ela que tem a grande arma secreta para acalmar bebês: o peito. Então, sou eu que pego a pequena depois do mamá às 5 horas da madrugada, pra tentar estender o sono matinal da minha esposa.


Depois de uma hora, uma hora e meia, minha filha começa a lutar contra o sono, grita e esperneia como se eu tivesse cometendo um crime hediondo.


Se consigo ninar ela rapidamente, tudo bem, se eu demoro um pouquinho mais pra fazê-la dormir, minha esposa aparece na sala, vindo do quarto, sacando o peito pra fora do sutiã como um pistoleiro do velho oeste sacando o revólver do coldre, dizendo: “Quer mamar? Quer mamar?” Com um olho aberto e o outro fechado ainda tentando acordar do sono.


Ela parece um zumbi do The Walking Dead, cambaleando, não sabendo se é dia ou noite, se cochilou 10 minutos ou uma hora, mas seu instinto sabe que dar mamá resolve o problema, então ela vem.


Eu queria que todos os dias fossem perfeitos e eu conseguisse fazer a pequena dormir logo no primeiro sinal de sono, mas nem sempre é possível.


Algumas vezes eu consigo mandar minha esposa ir embora “vai dormir, eu estou quase conseguindo aqui”, outras vezes demora mais e outras o que a filhota quer mesmo é mamá e só a mãe pode resolver.


Mas, apesar de minha esposa cambaleando de sono apontando sua “arma” pra minha filha ser uma das cenas mais cômicas desta minha paternidade, é também uma das cenas mais lindas. É, pra mim, o retrato da maternagem real, penosa, instintiva e afetuosa.



30/09/2021 (Crônica n° 78)

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.

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