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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

PANDEMIA DE DOIS ANOS (Crônica n° 76)

A pandemia COVID-19 está quase fazendo dois anos. Ninguém vai fazer festa, assar bolo ou soprar velinhas. É um aniversário insosso como o sintoma do contágio.


Dois anos mudam a gente.


Minha filha tinha dois e agora fez quatro. Ela cresceu neste tempo que passamos quarentemados e receosos com o vírus invisível. Ela parou de usar chupeta, antes usava franja e agora (por vontade dela) não. Ela começou a expressar mais suas vontades. Desfraldou, começou a usar a privada e desfrutamos juntos aquele alegre processo de transição do ritual de dar “thau para o cocô” na descarga. Até que dar “thau pro cocô” passou a não ser mais novidade, não ter mais graça, e paramos de fazer. Ela virou uma criancinha de pernas longas e fortes, distante da imagem de um bebê com pernas em desenvolvimento que aprendeu a andar.


Minha esposa e eu, cansados do marasmo da quarentena, decidimos botar a vida pra frente. Engravidamos. A barriga dela cresceu devagar até parecer que ela tinha engolido uma melancia. Um dia minha esposa de 1,60m de altura deu à luz uma menininha de 4kg e 51 cm depois de uma gestação de 10 meses. Meu bebê cresceu, fez 1, 2 meses, caiu o umbigo, começou a me seguir com os olhos e responder com risinhos minhas caretas e barulhinhos. Agradeço pelo privilégio da vida em um mundo onde muitas famílias se depararam com a morte. A vida é um privilégio.


E com a distribuição mais ampla das vacinas as coisas começam a querer voltar ao normal. Antes trabalhando em casa, remotamente, trabalhei minha primeira semana em regime presencial. Na minha mesa quase uma dezena de carimbos inúteis, enfileirados como em uma procissão de velório, posto que todos os processos migraram para tramitação exclusiva no digital. Muitas lembranças do ambiente pré-pandemia me vieram à cabeça, como quando o grampo de papel quase acabou e as pessoas na empresa começaram a desesperar, afinal, como poderíamos viver sem conseguir grampear papel!


Papel não existe mais, os carimbos perderam seu lugar na sociedade, assim como não conseguiremos voltar ao normal como era pré-pandemia. Esse normal já não existe. Dois anos mudam a gente. Eu mudei, o trabalho mudou, assim como tenho certeza que você mudou junto com o mundo. E se você passou a entender que a vida é um privilégio, mudou pra melhor.


A pandemia COVID-19 está quase fazendo dois anos, ninguém vai fazer festa, assar bolo ou soprar velinhas, mas também não é como se tivéssemos que viver uma vida insossa ou nos tornarmos obsoletos carimbos. Vamos saborear da melhor forma que pudermos. As coisas hoje estão melhores que há quase dois anos atrás.


08/10/2021 (Crônica n° 76)


Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.

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