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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

MEU PAI FUMAVA ESCONDIDO (Crônica n° 71)

MEU PAI FUMAVA ESCONDIDO. E o problema não é que ele fumava, eu acho lindo o hábito de fumar, eu até gostaria de ser fumante e dar aquelas baforadas sentado na praia logo depois de pousar do meu salto de paraquedas (como acontecia nos comerciais de TV de antigamente). Acho bonito pra caramba, só não gosto da parte do câncer. Se não fosse esse detalhezinho... eu era fumante.


O problema é que o meu pai fumava e mentia. Meu pai chegava em casa fedendo a cigarro igual um gambá e a gente, que queria que ele parasse com aquele vício, questionava, intimava “você fumou pai”? E ele na maior cara lavada “não, claro que não meu filho” com um cigarro atrás da orelha.


Então a gente encarnava o policial, botava ele debruçado na parede, abria as pernas, futucava os bolsos da calça, da camisa e revistava. “Hummmm... 5 maços de derby!? É pra consumo próprio ou vender?” E ele... “Não é meu, botaram ai”. Ele não admitia, mentia. E justificava que na sua época de garoto não se sabia dos malefícios do cigarro, dizia ainda que tinha sido seu tio que o havia ensinado ainda com 13 anos de idade.


Meu pai me ensinava todo dia que era errado mentir, no entanto, mentia na cara lavada quando o assunto era cigarro.


Talvez por isto eu prefira fumar cigarrinhos de biscoito de queijo, porque o cheiro do cigarro me faz lembrar que ele não era o herói perfeito que eu imaginava. Ele mentia e não queria admitir que aquele vício fazia parte dele.


Ao menos aquele vício fazia mal somente a ele e, pensando hoje, o tal vício tem o lado positivo de humanizar o ser idealizado.


Mas um dia ele acabou parando de fumar, quando ele teve um princípio de infarto e o médico acusou o cigarro como um dos culpados. E quando a escolha foi a vida ou o vício meu pai fez a escolha certa. Parou de mentir pra si mesmo e admitiu que aquele vício não precisava fazer parte dele.


10/05/2021 (Crônica n° 71)

Diogo Braga Crônicas


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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!

Diogo Braga.

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