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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

LIMPEI COCÔ DE CACHORRO COM UMA CARTA DE AMOR

Atualizado: 2 de ago. de 2021

Sim. É verdade e eu me senti péssimo com isso.

Eu estava andando e passeando com o meu cachorro quando vi um papel no chão.

Ele era pautado e estava amassado de raiva.

Eu, curioso, peguei a folha e abri.

Nela estava escrito um parágrafo feio, direcionado a uma amada.

Juliana. O remetente, João.

Parecia procurar compensar a ausência de traquejo com pequenos desenhos de coração.

Eu te amos também abundavam.

Figuravam como que carimbados por um funcionário de cartório em abstinência de café.

A carta era de amor e a rejeição óbvia.

Posto que resgatada por um desconhecido que a achou estatelada.

Como um corpo imóvel no chão de pedra portuguesa.

Parecia uma folha de caderno escolar, uma carta de um amor rejeitado.

Folha pautada de caderno amassado.

E eu que sou um cara que gosto de escrever e tento observar tudo a minha volta como uma possibilidade de inspiração.

Eu que acredito que poesia não é palavra, é circunstância.

Joguei fora toda e qualquer possibilidade de divagar.

Sobre que causas daquele papel amassado estar jogado e largado naquele lugar.

Talvez causa de um coração quebrado, talvez manifestação de amor que nunca tenha chegado ao seu destinatário.

Quando peguei aquele papel amassado eu não pensei nas possibilidades.

Do porquê de ela estar ali no chão.

Não pensei que pudesse ser uma desculpa, um pretexto para poder falar de amor.

Oportunidade desperdiçada.

Então, dei uma utilidade para aquele objeto sem valor.

Meu cachorro cagou e eu limpei o cocô com aquela carta.

Limpei cocô de cachorro com uma carta de amor.

12/09/2019 (Crônica n° 21) (Poema n° 01)

Diogo Braga Crônicas



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