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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

GUERRA GERAL E IRRESTRITA pelo sono (Crônica n°10)

Atualizado: 19 de mai. de 2021

Está acontecendo uma guerra lá em casa! Mais especificamente na minha cama. De madrugada a minha filha de 7 meses acorda, fica chorando no berço e só consegue voltar a dormir na minha cama! É recorrente. Eu pego ela do berço com todo o cuidado, apoio no meu peito e na ponta dos pés me dirijo pro quarto e a coloco deitada entre eu e minha esposa.


Já perdi ai a batalha pela região fronteiriça, pelo contato entre marido e mulher, mas pelo menos ela não demora e volta a dormir e eu penso poder descansar. No entanto, eu demoro pelo menos uns 40 minutos. Durmo e acordo logo em seguida, porque é quando o adversário abaixa a guarda que o inimigo avança.


Abro os olhos e vejo pela janela uma lua imponente. Percebo que estou na beira da cama, quase caindo, e que ela está dormindo de cara no colhão com a bundinha de fralda colada no meu rosto. “A fralda deve estar vazia.” Concluo sentindo o cheirinho de pomada de bumbum de neném limpinho. Eu pego aquele corpinho inerte e molinho e o recoloco no meio da cama, porém mais um pouco pro lado de lá da fronteira, mais coladinho com a mãe.


Demoro mais uns 20 minutos pra voltar a dormir, mas acordo logo a beira do precipício de novo e agora com um pezinho de bebê no pescoço. Ela estava dormindo atravessada na cama com a mão na mãe e o pé no pai. “Uma afronta à soberania territorial!” Penso indignado. Tiro aquele pezinho de mim, ajeito ela com cuidado na posição correta e, desta vez, a coloco o mais longe possível, grudada na mãe.


Pego um travesseiro sobressalente, coloco no meio e instituo a minha própria “cortina de ferro”. “Desta vez eu vou conseguir dormir.” Penso. Me viro e reviro. Demoro mais um tempão pra dormir. Acordo logo em seguida com ela do meu lado do travesseiro dormindo de ladinho. “Impossível!” O rostinho dela colado no meu, olhinhos fechados, semblante de anjo. Observo que ela possui um leve sorriso no rosto. Desconfio que seja de deboche, mas esta impressão passa tão rápido quando a brisa que invade o quarto pela fresta da janela. E pelo vidro eu vejo o sol tímido que nasce preguiçoso.


O dia já estava amanhecendo! Imagino que talvez ele também tenha guerreado com a lua por um espaço na cama por ter acordado tão cedo! Viro pra tentar um ultimo cochilo antes de ter que levantar e me arrumar para o trabalho e vejo minha filha com a cara amassada, sentada e acordada. Nada de um último cochilo pra mim, mas o meu mau humor evapora com ela rindo e sacudindo o pano do meu pijama querendo brincar.


Percebo então que não se trata mais de minha cama, meu sono, minha esposa. Tudo é dela, de bom grado e com muito amor. Minha esposa, mãe da minha filha acorda do outro lado da cama, olhos pesados e cheios de olheira, se espreguiça, me deseja um bom dia e confessa: “Me desculpe amor, eu estava cansada e esta noite eu tive que colocar Lílian algumas vezes colada dormindo em você.” E eu concluo: “É guerra. Geral e irrestrita”.

07/03/2018 (Crônica n°10)

Diogo Braga Crônicas



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