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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

GUARDE MEMÓRIAS NO COFRE (Crônica n°51)

Atualizado: 2 de ago. de 2021

Eu já contei que o meu pai escondia a poesia do palhaço triste no cofre de casa e especulei que ele fazia aquilo porque realmente valorizava aquele sentimento e aquelas palavras bonitas. Cada um guarda com segurança aquilo que lhe tem mais valor, não é?


Então... minha filha escondeu sua chupetinha no cofre do quarto de hotel na primeira vez que viajamos com ela, mas esqueceu ela lá e eu e minha esposa não vimos. Foi um deus nos acuda, a chupeta perdida e minha filha chorando até que descobrimos. Estava no cofre!


Naquela época a chupeta valia muito pra ela, era seu bem mais valioso no auge dos seus um aninho e poucos. E eu lembrei da história do meu pai escondendo poesia. E por diversas vezes, nestes momentos ínfimos, me vêm à memória aquela história e tantas outras que eu vivi com ele. Eu queria é ter um cofre pra poder guardar todas elas!


E teria que ser enorme, porque além de serem muitas, eu continuo construindo outras tantas com a minha filha.


Meu lamento é que eu não tenho tal cofre e que nenhuma destas lembranças do meu pai estão naturalmente interligadas com as da minha filha, pois eles não tiveram a oportunidade de se conhecer em vida.


Por isto eu decidi que eu escreveria e falaria sobre elas, pelo menos assim minha filha consegue conhecer melhor o avô. Faço questão de guardar estas memórias em texto, que é pra mim como um cofre gigante cheio de afeto, mas, principalmente, é como eu consigo interligar as memórias dos dois.


Estas memórias são os meus bens mais valiosos, são a minha chupetinha e minha poesia do palhaço triste.

(Crônica n°51) 19/11/2020

Diogo Braga Crônicas





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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga.


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