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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

FAZENDO ARTE (Crônica n°08)

Atualizado: 19 de mai. de 2021

Quando eu era criança a minha mãe e meu pai me botaram de castigo inúmeras vezes e o motivo era quase sempre o mesmo: “Não pode fazer arte!”


Tudo bem que eu fui criado por pais que utilizavam um linguajar todo diferente do meu vocabulário, diria que um tanto antiquado. Quando eu ia sair na rua minha mãe gritava logo: “não esquece o capote!” E ela não estava dizendo para eu cair não, estava dizendo para eu levar o meu casaco.


É certo que a linguagem das coisas varia com o tempo e o lugar, mas eu nunca entendi o porquê de ser tão ruim fazer ARTE. Certamente eles estavam favando, de uma forma direta, que não era para eu fazer coisas erradas, mas indiretamente deixavam entender que Arte é algo negativo.


E eu que fiz tantos desenhos e rabisquei todas as paredes brancas da minha casa me sinto injustiçado! Eu tinha todo um esquema pegar a farinha de casa e, com água, moldar nas mais impressionantes esculturas expressionistas. Sujava um pouco a casa, admito, mas se não fossem pelos castigos imposto à minha pessoinha, eu certamente seria hoje um artista renomado e com um acervo vasto. EU FUI TOLHIDO!


No entanto, é verdade também que, mesmo eu não sendo um artista renomado, me tornei um adulto responsável que se orgulha de todos os valores herdados, mesmo que por vezes tenha feito uma “arte” ou outra.


A verdade é que não importa a expressão utilizada na correção dos filhos, o importante é que se imponham limites. E a imposição de limites é uma arte difícil, pois muitas vezes é mais cômodo deixar o filho fazer que quiser do que encarar um choro estridente e interminável.


Por outro lado, criar uma criança com proibições intermináveis e inquestionáveis pode resultar um adulto inseguro e submisso. Eu penso em tudo isto e mais. Eu espero que eu tenha a sabedoria de encontrar o equilíbrio entre limite e liberdade que fará minha filha se tornar uma mulher justa, educada, decidida e questionadora.


Por isto, por conta de todos estes detalhes e nuances, acredito que cada criança é uma tela em branco que se vai pintando aos poucos. E a minha filha é a minha maior obra de arte, mais impressionante do que qualquer parede que eu rabisquei na infância, que qualquer escultura de farinha e água.


Hoje eu posso dizer, com orgulho, ao meu pai e à minha mãe que ESTOU FAZENDO ARTE. E posso dizer que é a coisa mais acertadamente linda que poderia ter acontecido na minha vida.


07/05/2018 (Crônica n°08)

Diogo Braga Crônicas



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