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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

EXTRAORDINARIAMENTE ORDINÁRIO

Eu sempre fui um cara ordinário. No sentido de comum mesmo. Mesmo que eu já tenha achado um dia que eu tinha nascido para fazer coisas extraordinárias eu sempre fui mediano. Nem alto, nem baixo, nem gordo, nem magro, tirava na escola notas relativamente boas e quando eu me formei consegui um emprego OK.


Este pensamento do ser humano que acha que nasceu para o extraordinário pode ser um reflexo comparativo que nós mesmos fazemos ao vermos um filme ou lermos um romance onde o personagem principal chuta bundas e dá lição de moral. Normalmente este protagonista retorna vitorioso ao seu local de origem esfregando na cara das outras pessoas comuns todas as coisas e poderes que adquiriu. Tem gente que cultua este tipo de atitude, eu chamo de “a jornada do babaca”.


Ser o protagonista implica muitas vezes em subjugar os outros ao papel de meros coadjuvantes e lá no fundo eu sempre soube que eu poderia passar feliz por toda a minha vida de forma tranquila, correta, sendo só mais um, sem ser notado. Mas eu estava enganado. No dia 9 de agosto do ano passado a minha filha nasceu e eu, que só queria uma vida tranquila, fui subjugado a uma rotina exaustiva de trabalho, privação de sono e trocas de fraldas.


Os meses se passaram, minha filha cresceu, e aquele bebê que só sabia chorar e mamar começou a me notar. Quando dei por mim eu era o maior artista performático do mundo. Eu fazia um barulhinho com a boca e ela ria. Dava um beijinho na barriga e arrancava uma gargalhada. E as dancinhas que eu inventei são tão impressionantes que têm o poder de fazer cessar choros intermináveis!


Quando eu chego a casa ela vem lá de longe gritando, do outro lado da sala, engatinhando até conseguir escalar minhas pernas e subir no meu colo. Eu me sinto o maior rockstar atendendo à minha maior fã. Eu aprendi que ela era a minha melhor plateia e que é um deleite ver aqueles olhinhos curiosos observando minhas palhaçadas. Eu descobri que eu tinha um poder: a paternidade. Eu sei que esta é uma jornada longa e penosa e que, pra mim, só está começando. Muitos homens, com receio das enormes responsabilidades que advém deste poder, ainda o rejeitam, infelizmente. Não sabem eles que é maravilhoso: a maior experiência da vida de um homem. É o que transforma uma vida comum em extraordinária. Extraordinariamente paterna.


13/03/2018 (Crônica n° 04)

Diogo Braga Crônicas


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