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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

CHAPÉU DE PAPEL ALUMÍNIO (Crônica n° 44)

Atualizado: 9 de abr. de 2021

Comprei um computador novo. Liguei e configurei.


E durante todo o processo de configuração o fí do diabo ficou me tentando. “Você quer ter o recurso de ditado? Pois me dê acesso ao seu microfone.” Dei acesso.“ Você quer poder saber onde seu dispositivo se encontra em caso de perda? Pois me dê acesso a sua localização.” Permitido! “Você quer ter desbloqueio facial automático? Pois me dê acesso a sua câmera.” Toma!


Se ele pedisse acesso a minha mãe eu dava! Dei tudo o que me pediu, gosto de tecnologia e acho importante estar atualizado com elas, por isto, me submeti à escravidão moderna infringida pelas grandes corporações do vale do silício, mas fiquei paranoico.


Me sentindo observado comecei a utilizar soluções analógicas para tentar combater a vigilância digital. Sempre achei que aqueles indivíduos que usam um post-it na câmera do computador eram pessoas que estavam necessariamente fazendo algo errado, escondendo alguma coisa, mas agora eu entendo.


Botei post-it também, pois, até onde sei, não dá pra rackear post-it. Botei fita isolante na câmera do celular e no orifício dos microfones de todos os meus equipamentos. Comecei a falar sussurrando coma minha família. Estou travando uma guerra com o invisível, com as ondas dos satélites, rádios, wi-fis e bluetooths. Fico atento a todos os cookies, mesmo os de chocolate, não quero ceder mais nenhum bite de informação pessoal.


Estou usando agora um chapéu de papel alumínio, buscando uma proteção mágica em um mundo da tecnologia. Se for pra não ficar louco vou continuar usando, mas usar já não seria um sinal de loucura?


Esta foi a sensação que eu tive ao configurar pela primeira vez o meu computador. Como se eu tivesse que escolher a pílula vermelha ou azul do Matrix. Um paradoxo: renunciar à tecnologia e à própria sociedade ou abraçar todos os avanços tecnológicos e comprometer a minha privacidade?


Sem uma alternativa confortável para se escolher, escolhi a tecnologia com o chapéu de alumínio, pelo menos assim faço graça de uma realidade escrota. É o que nos resta. Acho... Será?


25/11/2020 (Crônica n° 44)

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!


Diogo Braga

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