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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

CALVO SIM, CARECA NÃO (Crônica n°41)

Atualizado: 9 de abr. de 2021

Uma vez uma amiga minha olhou para a minha cabeça e percebeu que, em certa parte, o meu cabelo estava triste, ralo como a floresta amazônica no governo Bolsonaro.


E ela me intimou:

"Por que você não assume a careca?”

E continuou como em um discurso de palanque:

“Temos que assumir nosso corpo, não podemos esconder quem somos para tentar nos encaixar no padrão que a sociedade impõe, não podemos ter vergonha da nossa aparência!”


Sei que ela não falou por mal, é uma pessoa “amorzinho”, gente boa mesmo, mas eu estava com um puta mau humor aquele dia e respondi duro:

“Então porque você não assume a sua cara? Por que você não para de usar maquiagem?”

E continuei irônico:

“Afinal, não podemos esconder quem somos para tentar nos encaixar no padrão que a sociedade impõe, não podemos ter vergonha da nossa aparência".


Foi um grosseirão e me arrependo de como falei, mas a verdade é que eu estava assumindo (e continuo a assumir) como eu sou: CALVO, com muito orgulho. Me esconder seria raspar o cabelo para me encaixar em uma aparência mais aceitável à sociedade que não respeita o careca cabeludo.


Não quero dar combustível a grosseirões como eu, mas ninguém dá o devido valor à beleza da arquitetura complexa destes valentes, que na tentativa de proteger do sol o buraco da calvície, fazem penteados variados que desafiam a física de forma tão impressionante quanto os famosos vão livres de Niemeyer! São construções complexas.


Sei que eu estou no início deste processo de calvície, mas olho com admiração quem não sucumbe às pressões da sociedade e acabam por raspar o cabelo, fazer implante ou sacrificar a própria função erétil tomando finasterida. Valentes são os carecas cabeludos! Sou calvo sim, careca não.

28/08/2020 (Crônica n°41)

Diogo Braga Crônicas



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No mais, meus votos de uma vida com gosto de açúcar nos lábios e até a próxima!




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