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  • Foto do escritorDiogo Braga Crônicas

A CINDERELA DA VIDA REAL E O PRÍNCIPE DE SÃO GONÇALO

Atualizado: 2 de ago. de 2021

Era uma vez um não tão belo dia.

Ela estava solteira e há 2 dias estirada como um corpo em sua cama em Niterói.

Estava decidida a virar a página, mas nem tanto.

Chamou a amiga e combinaram que seria uma noite SEM romance.

Vestiu seu kit de segurança, queria dançar, beber e só.

Queria se divertir sem nenhuma aventura sexual, estava de luto.

Então botou uma calcinha larga de avó e sua sapatilha do chulé a fim de se sabotar.

Não iria se atrever a ir para a cama com ninguém e correr o risco de ser flagrada com chulé.

Botou aquele vestido “me chupa”, à vácuo, e saiu.

Exagerada, igual ao Cazuza, dançou com a noite no Barra Music.

Até a noite cansou, ela e a amiga não.

Mas nem tudo são flores e, como a vida havia lhe ensinado, promessas são feitas para serem quebradas.

Sua amiga se atracou com um e para ela surgiu o príncipe.

O príncipe era de São Gonçalo, da nobreza do Castelo das Pedras.

Os dois estavam em um reino muito, muito distante.

O papo era bom, mas ela o negou 3 vezes antes de beijar.

O beijo era bom, mas ela o negou três vezes antes de aceitar ir para sua casa.

A desculpa foi que a amiga queira ir também com o recém conhecido romance, então foi.

Partiram para um amasso na sala e ela sabia que precisaria se desfazer de sua sapatilha do chulé sem que ele notasse.

O toque era bom, mas ela o negou três vezes antes de aceitar ir para o seu quarto.

Quando entrou foi direto para o banheiro anexo e deixou por lá a sapatilha e a calcinha larga.

O acaso havia arregaçado suas manguinhas para juntar os dois, então se amaram.

De manhã, se vestindo para ir embora, voltou àquele banheiro que tinha passado a noite inteira fechado, concentrando o chulé da sapatilha, e não achou um dos sapatos.

Ele lhe emprestou um chinelo havaianas e ela pegou o taxi de vestido preto chupado, maquiagem borrada, sapatilha branca em um pé e chinelo azul no outro.

Foi sabendo que nunca mais iria ver novamente aquele príncipe, sabia que ele iria descobrir o seu segredo fedido assim que encontrasse o outro pé da sapatilha.

O amor ofusca os sentidos.

Quando ele entrou pela primeira vez naquele banheiro de fragrância concentrada, achou que o chulé era cheiro de sexo e ignorou.

Ele não conseguia parar de pensar na maravilhosa noite que tivera.

A sapatilha ele achou atrás do vaso sanitário e o sapato virou um pretexto, afinal, ele tinha que devolvê-la.

Ligou para ela e marcou um encontro.

Quando a viu retirou o all star que ela vestia e testou no pé dela a sapatilha do chulé, para ver se encaixava.

A sapatilha encaixou um pouco frouxa, o pé era marcado de calos, mas ele sabia que aquele pé era o pé da mulher da vida dele.

As coisas não foram tão rápidas quanto aquela primeira noite.

Namoraram e brigaram, terminaram pelo menos umas sete vezes, mas sempre voltavam.

Perceberam que imaginar a vida separados era uma concepção insuportável.

Se casaram e as coisas foram tão imperfeitamente perfeitas como aquela noite.

Foram e são felizes para o sempre e na intensidade que a vida real permite.


12/06/2019 (Crônica n° 26) (Poema n° 05)

Diogo Braga Crônicas



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